O centrão propõe

Marcos Nobre – Revista Piauí – 18/07/2018

“A eleição deste ano é de repactuação. O pacto anterior contava com dois pilares, PT e PSDB, que sustentavam a ponte formada pelos PMDBs todos. Caiu a ponte, racharam os pilares. Não é de surpreender que até agora não se tenha uma única aliança eleitoral nacional consolidada. O que surpreende é que a única proposta de repactuação tenha vindo até agora do Novo Centrão, na formulação que lhe foi dada pelo consórcio formado por DEM, PP e SD. A proposta é abandonar o modelo organizado em dois polos, com um mar de PMDBs no meio. A ideia é produzir antes da eleição o bloco que irá governar. Ou seja, dividir o butim de governo desde já, diminuindo ao máximo a margem de manobra de quem se eleger. Como contrapartida à limitação da margem de ação do futuro presidente, oferece a diminuição das instabilidades do início de governo, típicas do modelo peemedebista do pacto anterior.”

Texto completo no link

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Mundo pré-globalização terminou em 2013

O professor de filosofia da Unicamp é o entrevistado da semana no podcast.

A conversa com Uirá Machado, editor da Ilustríssima, abordou seu livro recém-lançado, “Como Nasce o Novo” (Todavia), um mergulho aprofundado na introdução da “Fenomenologia do Espírito” de Hegel, obra essencial do pensamento ocidental.

Nobre também discute semelhanças entre o início do século 19 e o contexto atual; para ele, são dois momentos em que um mundo antigo é deixado para trás.

Hegel escreveu a “Fenomenologia do Espírito” enquanto as tropas de Napoleão invadiam a Alemanha —e, para o filósofo, carregavam a promessa de institucionalizar a ordem que se seguiria ao Antigo Regime.

Na interpretação de Nobre, essa espécie de transição caracteriza a atualidade: o mundo pré-globalização, diz ele, terminou em 2013; o que vem agora ainda não se sabe.

Ouça o Podcast no link

Folha de S Paulo, 28/05/2018

Como nasce o velho

Como nasce o velho

À direita e à esquerda são movimentos que não têm qualquer esperança de mudar o funcionamento viciado das estruturas partidárias existentes a partir de dentro.

Marcos Nobre, Época, 21/03/2018

Segundo apurou o repórter Raymundo Costa, do Valor Econômico, o programa do candidato Geraldo Alckmin prevê fazer em primeiro lugar a reforma política. Só depois viriam as reformas da Previdência e tributária. Em sua recente viagem a Washington, Alckmin teria dito: “Com essa fragmentação, ninguém governa”.

É o caso de prestar atenção. Em 2016, foi Alckmin quem propôs que Temer aprovasse em primeiro lugar a reforma da Previdência, e não o teto de gastos. O teto está para cair e a reforma da Previdência subiu no telhado. Parece que pelo menos de timing político Alckmin entende. E é altamente significativo que coloque agora a reforma da Previdência em segundo lugar em seu cronograma.

A reforma política que vislumbra pretende produzir a concentração partidária. Menos partidos. E bem maiores em termos de tamanho de bancadas no Congresso. Hoje, segundo os últimos números disponíveis, só há dois partidos com mais de 50 deputados: o MDB, com 56, e o PT, com 58, maior bancada individual. De um total de 513.

Em 1999, no início de seu segundo mandato, FHC contou com o apoio formal de 105 deputados do antigo PFL (atual DEM), de 99 do PSDB, de 84 do PMDB (atual MDB). O então quarto maior partido da base parlamentar de FHC, o antigo PPB (atual PP), tinha 60 deputados. Ou seja, há 20 anos, dois terços das cadeiras da Câmara estavam concentrados em apenas quatro partidos da base do governo. O PT vinha então em quinto lugar em tamanho, com os mesmos 58 deputados que tem hoje. Os demais partidos tinham bancadas de 31 deputados ou menos.

Em condições históricas bem diferentes, é esse horizonte de 20 anos atrás que a reforma política de Alckmin busca restaurar. A Lava Jato e suas filiais tiraram do jogo muitos atores dentro de seu próprio partido, o PSDB. Alckmin tem espaço para apoiar um número bem maior de aliados nas eleições regionais do que em momentos anteriores. Sabendo negociar, poderá desde já distribuir poder dentro de sua campanha entre alguns dos partidos que o apoiam, de maneira a lançar as bases de futuras fusões partidárias.

Aquele que se apresentará na eleição como o “candidato Geraldo” mira a construção de pelo menos um novo grande partido, capaz de ocupar novamente a posição de eixo organizador da centro-direita. Vai no mesmo sentido o projeto do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que, em entrevista à Folha de S.Paulo de 17 de dezembro do ano passado, disse querer formar “um novo partido, que possa ter um número relevante de governadores, uma representação importante de 15 a 20 senadores e possa voltar a ter no Congresso um partido com 100 deputados”. Esse projeto foi gestado no governo Temer, utilizado pela centro-direita como interregno para elaborar um diagnóstico da situação e como laboratório de construção de uma agenda mínima, de certo programa comum para além de suas muitas divisões.

Foi exatamente o que a centro-esquerda não fez nesse período. Não apenas não conseguiu fazer oposição efetiva ao governo Temer. Também não utilizou a unidade do campo que surgiu na resistência à parlamentada de 2016, que derrubou Dilma Rousseff, para construir um programa mínimo comum para além de suas divisões, capaz de surgir como projeto para o futuro.

Do lado da centro-esquerda, a disputa é unicamente pela divisão do espólio do PT. Ciro Gomes quer recolher os destroços a partir do centro, Guilherme Boulos a partir da esquerda. Até o momento, a real disputa é por quem vai liderar esse campo no pós-Lula.

É preciso não confundir essas disputas internas ao sistema político com os chamados movimentos de renovação da política. À direita e à esquerda são movimentos que não têm qualquer esperança de mudar o funcionamento viciado das estruturas partidárias existentes a partir de dentro.

Pretendem renovar o sistema político a partir da sociedade. Mas não demonstraram força suficiente para virar o jogo que está sendo jogado. Até o momento, pelo menos. Porque a regra do jogo até agora é mudar o sistema político bricolando os destroços do sistema partidário existente.

Fonte: https://epoca.globo.com/politica/Marcos-Nobre/noticia/2018/03/como-nasce-o-velho.html

As trocas de março

As trocas de março
Elas vão decidir o lugar que cada força política ocupará na largada de 7 de abril
MARCOS NOBRE
07/03/2018 – Revista Época

Durante todo um mês, a partir de 7 de março, deputados estaduais e federais podem trocar de partido sem punição. Precisam apenas respeitar o prazo de filiação de 7 de abril se quiserem concorrer em outubro. Para preservar seu poder, as cúpulas partidárias precisam não perder deputados e senadores. Para tentar ampliá-lo, precisam conquistar novos deputados e senadores.

As cúpulas partidárias decidem quem vai constar e quem não vai constar em suas listas de candidaturas. Decidem quanto cada candidatura receberá do fundo partidário e do fundo eleitoral. Decidem, em suma, quem tem chances de se eleger.

Com o financiamento quase que exclusivamente público das campanhas, o poder das cúpulas partidárias chegou provavelmente a seu ponto máximo na última década. Não por acaso, é um movimento que coincide com o momento de maior fragilidade dos partidos e do sistema político desde o fim da ditadura civil-militar de 1964. Para sobreviver a uma crise que se ameaçava terminal, a resposta do sistema político foi concentrar poder.

Esta será em grande medida uma eleição de máquinas partidárias, portanto. Como talvez nenhuma outra antes dela em muito tempo. Em um país movido a paradoxos, é uma eleição de máquinas partidárias que coincide com as crises agudas dos últimos anos, com uma rejeição generalizada ao modo de funcionamento do sistema político, com o descrédito dos partidos. Contrasta cruamente com o avanço que deveria representar a introdução do financiamento quase que exclusivamente público de campanhas.

Mas os paradoxos não mostram apenas e uma vez mais a extraordinária capacidade de adaptação de um sistema político estropiado quando se trata de sua própria sobrevivência. (Afinal, a primeira regra não escrita da eleição deste ano é: quem conseguir um mandato ou cargo com privilégio de foro já escapou da Justiça). A agudeza da crise deixou claro para o próprio sistema que ele vai ter de mudar para sobreviver. Mesmo que seja para que tudo fique mais ou menos da mesma maneira.

Está claro, por exemplo, que é preciso diminuir a fragmentação e construir pelo menos um partido de centro-direita de tamanho suficiente para vertebrar o sistema. É também de olho nessa futura reorganização geral que cada partido vai tentar chegar a 2019 na melhor situação possível para negociar seu lugar no novo arranjo. Daí a importância decisiva das trocas de março, fechando o verão do descontentamento do sistema político.

É também por tudo isso que Geraldo Alckmin tem chance, mesmo não empolgando ninguém. É candidato único da centro-direita em uma eleição de máquina. Supostas outras candidaturas nesse campo político não passam hoje de devaneios. A configuração definitiva dessa campanha presidencial pode estar momentaneamente suspensa, aguardando o resultado das trocas de partido de março. Mas não há dúvida sobre quem será o candidato unificado da centro-direita.

Maia e Temer não são de fato candidatos à Presidência, portanto. Colocam-se como tais apenas para negociar a melhor posição possível na campanha de Alckmin. E, de quebra, prometem entregar na bandeja do tucano a cabeça de pelo menos um dos pré-candidatos ainda por ser eliminado, o ministro Henrique Meirelles.

A intervenção no Rio de Janeiro não pretende apenas tentar tirar Temer do fundo do poço da irrelevância política. Faz parte da estratégia de defender as bancadas do partido do presidente contra ataques especulativos por parte de outros partidos. E, ao mesmo tempo, tenta impedir o fortalecimento do dem como parceiro preferencial de Alckmin. Com a intervenção, Temer tirou de Maia o protagonismo em seu próprio estado de origem. O dem respondeu com o anúncio do lançamento de Rodrigo Maia à Presidência, marcado para 8 de março.

As trocas de março vão decidir o lugar que cada força política ocupará na largada de 7 de abril. Que posições terão na linha de chegada em outubro depende de como o eleitorado vai lidar com uma eleição dividida entre fuga da polícia e uma ainda nebulosa futura reorganização do sistema político-partidário.

 

Fonte: https://epoca.globo.com/politica/Marcos-Nobre/noticia/2018/03/trocas-de-marco.html

 

Temer acha que é Itamar, mas é Sarney

Mariana SanchesDa BBC Brasil em São Paulo

O resultado da votação na Câmara nesta quarta-feira tem efeitos muito mais amplos do que o arquivamento da denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer. A afirmação é do filósofo e cientista político da Unicamp Marcos Nobre, um especialista em PMDB.

De acordo com ele, em sua face mais visível, a votação lançou o peemedebista e seu governo no colo do chamado Centrão – uma bancada suprapartidária de parlamentares de pouca expressão organizados pela primeira vez sob a batuta do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atualmente preso pela Lava Jato.

Com essa base, é improvável que Temer seja capaz de aprovar reformas estruturais e deverá passar os próximos 16 meses de mandato debelando crises, afirma.

Em seu aspecto mais relevante, no entanto, a votação representou uma “cisão incontornável” do PSDB.

Na sua avaliação, o partido está dividido ao meio pelo anseio do governador paulista Geraldo Alckmin de viabilizar sua candidatura presidencial em 2018 e do pragmatismo do senador Aécio Neves, que se coloca como líder do Centrão.

E as manobras de bastidor de Aécio, que ajudaram a garantir a vitória a Temer, aumentaram o poder político do tucano e sua rede de proteção contra os efeitos das investigações que ameaçam prendê-lo. “Aécio Neves é o novo Eduardo Cunha”, diz Nobre.

Na bancada tucana, a divisão se expressou em 21 votos a favor da denúncia, 22 contra e 4 abstenções. “Metade do PSDB, a turma do Aécio, desceu do muro ontem. E o Centrão vai forçar o resto a descer também”, afirma Nobre.

Nessa entrevista à BBC Brasil, o cientista político analisa as condições atuais e futuras do campo político da centro-direita.

Clique aqui para ler a entrevista completa.

PMDB só virou governo por causa da Lava Jato

Para o filósofo, o PMDB não tem capacidade nem intenção de governar – seu objetivo é oferecer estabilidade para o governo em troca de poder; Dilma teria caído por não garantir nem recursos nem proteção judicial aos políticos do partido.


trechos:

 

“se o sistema político conseguir se estabilizar, ele mata a Lava Jato. Só que tem um problema: se o sistema político não se estabilizar, a economia não vai se estabilizar.”

“o sistema político entrou em sistema de autodefesa, ele virou as costas para a economia.”

“Então, a gente não pode se deixar seduzir por essa história de que o governo tem apoio no mercado, entendeu? Vamos esquecer. Vamos pensar: o que um político quer? Um político quer se salvar.”

“Vamos pensar assim: Temer abre o processo no STF, ele é afastado. Assume o Rodrigo Maia, eleição indireta, e se elege alguém nessa eleição indireta que nada tem a ver com a Lava Jato. O que acontece? É o suicídio do sistema político. Por que eles não podem eleger alguém que não esteja na Lava Jato, porque não os vai defender.”

“Você vai olhar, por exemplo, esses movimentos que lideraram, tipo MBL, Vem pra Rua. Eles não têm coragem de mostrar a cara na rua. Eles chamam manifestação e recuam. Eles vão dizer o quê? “Tira esse presidente agora que vai tudo melhorar.” Quer dizer, eles prometeram isso da vez passada e tudo piorou.”

“Do ponto de vista de uma manifestação comparável àquelas que nós tivemos pró e contra o impeachment, só mesmo se a Lava Jato estivesse em risco. Eu realmente acho que a Lava Jato está funcionando como uma válvula de escape para uma rejeição generalizada do sistema político.”

“A direita brasileira se colocou em uma enrascada muito séria ao entrar de corpo e alma no impeachment de Dilma Rousseff e, em seguida, ao dar apoio ao governo Temer. Aprofundou de maneira ainda mais dramática as crises, todas as crises: social, econômica, política, moral. E não será nada fácil que consiga se descolar disso tudo e se apresentar como algo novo, que é o que o eleitorado espera em 2018.”

“Agora, o sistema político achou que iria conseguir. Quer dizer, primeiro achou que ia conseguir fazer parar só no PT a Lava Jato. E, em segundo lugar, achou que iria conseguir parar a Lava Jato do ponto de vista do controle superior, da Polícia Federal, do Ministério Público, do sistema judiciário de maneira geral. E não conseguiu.”

“Então, Lava Jato é muito complicada. A visão que tem o Moro não é a mesma do Fachin, que não é a mesma do Janot, que não é a mesma do Deltan Dallagnol, que não é a mesma do Leandro Daiello, tá certo? São visões diferentes, e eles vão se acotovelando e vão vendo para que rumo pode ir.
Quando você tem uma situação como essa, você não pode falar de unidade. Na verdade, é cada um puxando para um lado, e o resultado é um pouco o resultado desses vetores. Mas tem uma coisa que a gente pode observar que é um padrão. A Lava Jato, toda vez que a mesa se coloca sobre quatro pés, chuta um. É uma característica dela desestabilizar permanentemente o sistema político. Pra quê? Para ela poder continuar.”
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Entrevista completa na Pública (link)

Temer se preparou para guerra e PSDB lavou as mãos

Para filósofo da Unicamp, Temer se preparou para guerra e PSDB lavou as mãos

Mariana Sanches – O Globo, 04/06/2017

Para o filósofo da Unicamp Marcos Nobre, se Temer sobreviver ao mês de junho, não cairá mais. Mas também não será capaz de fazer as reformas e viverá crises agudas a cada dois meses.

 

O senhor acredita que o presidente Temer concluirá o mandato?

Está claro que a política está travando a economia e que a economia só vai voltar a funcionar quando houver estabilidade política. Nos últimos dois anos e meio o sistema político perdeu o controle da política, o que é muito grave. Temos um sistema político encurralado pelo Judiciário. Para retomar estabilidade política hoje, é preciso um governo que não esteja o tempo todo ameaçado por uma nova revelação comprometedora. E esse governo não é o governo Temer. Se o Temer ficar, a instabilidade será permanente, com crises agudas a cada dois meses.

De que maneira o centrão e o PMDB se reorganizaram depois de baixas como a de Eduardo Cunha?

O Centrão só ganhou densidade e uma certa homogeneidade por causa do Cunha. Ele percebeu que se organizasse o Centrão daria para usar (para controlar o poder). Desde que o Temer assumiu, o projeto dele foi desmontar o Centrão, que estava muito poderoso.

Qual é a lógica de desmanchar o Centrão?

A lógica do peemedebismo é a lógica da fragmentação, para não deixar ninguém ter uma posição de hegemonia. O PMDB é uma empresa de venda de apoio parlamentar. Isso significa também que o PMDB não tem condição de governar porque para governar você precisa coordenar e o PMDB não tem tecnologia para coordenar governo.

Como o senhor vê os movimentos do presidente Temer?

O que o Temer está tentando fazer é sobreviver até o fim de junho, porque aí há o recesso do Judiciário e, em meados de julho, o recesso do Congresso. O cálculo de sobrevivência desse governo é muito simples. Se chegar até agosto, não cai mais, por conta da proximidade do calendário eleitoral. Por isso o Temer está alardeando que as reformas estão andando, porque é um faz de conta necessário para enrolar esse mês.

O que pode atrapalhar os planos de Temer?

Só há duas forças que podem se opor a esse projeto continuísta. Em primeiro lugar, as ruas. Mas a impressão que dá é que esse tempo de um mês é curto demais para o movimento ganhar a massa e o volume que precisaria para poder derrubar o Temer. O segundo elemento é o PSDB. O destino do governo Temer hoje está nas mãos do PSDB.

E essa posição é boa para o PSDB?

O PSDB está adotando uma estratégia suicida, porque vai cair no colo dele a fatura pelas crises e impopularidade do governo Temer. Há um impasse e o PSDB está paralisado no momento em que sua própria existência está em causa, acreditando que está mantida sua posição natural de líder.

Ele já não é mais líder?

O candidato presidencial do partido em 2014, Aécio Neves, teve o mandato de senador suspenso e está ameaçado de ser preso a qualquer momento. Isso é uma ameaça evidente pro partido. A única saída para o PSDB perante seu eleitorado — essa elite mais esclarecida — seria retirar seu apoio ao governo e forçar o Temer a se retirar, oferecendo evidentemente uma alternativa de sustentabilidade. Mas para isso o PSDB teria que colocar a mão na massa.

E por que não colocou ainda?

Porque não está conseguindo unidade. De um lado, Aécio foi o grande fiador da entrada do PSDB no governo Temer e continua a ser seu maior defensor. De outro lado, o diretório de São Paulo está em pânico porque sabe que vai ser castigado na próxima eleição pelo que estão fazendo.

O que representa a nomeação de Torquato Jardim para a Justiça?

O Temer se pintou para a guerra. A nomeação quer dizer que a vida desse governo vai ser decidida no julgamento do TSE, então ele precisa de alguém que entenda de legislação eleitoral, que converse com cada ministro e saiba como eles pensam. O PSDB está lavando as mãos porque empurrou para o TSE a decisão. Pode-se dizer que o julgamento é técnico, mas se o TSE vir que existe uma alternativa ao governo Temer que se formou e se consolidou e que é possível cassar a chapa porque vai ter uma alternativa, eles vão fazer isso.

Mas essa alternativa não existe.

Não. Quando o PSDB tentou fazer as conversas para a substituição do Temer, incluiu o próprio Temer nas negociações. Nunca vi alguém querer substituir um sujeito que está na presidência e convidá-lo para conversar sobre o assunto. E o surrealismo inclui trazer o José Sarney para a mesa. Sarney foi ressuscitado porque é especialista em governo que não consegue governar, que é o que vai acontecer com o Temer. Outro lance político fatal do PSDB foi fazer acordo com o DEM. Com isso, os tucanos colocaram o Rodrigo Maia em uma posição muito estratégica.