“O impeachment é estratégia de defesa contra a Lava Jato”

“O impeachment é estratégia de defesa contra a Lava Jato”
Saída da presidenta não é reflexo das ruas, mas tentativa de atrasar apuração, diz ele.

“O impeachment nunca seguiu a lógica de quem está na rua. Tanto é que seu acolhimento, feito pelo Eduardo Cunha e deflagrado justamente quando o PT resolveu votar contra ele no Conselho de Ética”

“Março de 2015 é junho de 2013 da mesma maneira que as manifestações contra o impeachment, ou a ocupação das escolas em São Paulo, também são.”

“Pode-se dizer qualquer coisa, o que não se pode dizer é que o Governo Dilma bloqueou a Lava Jato.”Leia mais »

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Impeachment não acaba com crise política

Impeachment não acaba com crise política, diz Marcos Nobre.

Talita Abrantes, de EXAME.com
21/12/2015

São Paulo – Enquanto a operação Lava Jato não mostrar todas as suas cartas, a instabilidade política no Brasil deve persistir. É o que afirma o cientista político Marcos Nobre, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador do Cebrap.

“Na política, você precisa de um espaço de confiabilidade para fechar um acordo. Com a Lava Jato, você não sabe quem está dentro ou fora do jogo”, afirmou o professor em entrevista a EXAME.com na última quarta-feira.

Na visão de Nobre, tirar Dilma Rousseff do poder não irá estancar a crise política que se arrasta desde o final de 2014, quando o Congresso começou a dar seus primeiros sinais de revolta.

Em outros termos, se o vice-presidente Michel Temer chegar à chefia do Executivo, para o professor, os problemas do governo Dilma tendem a se repetir.

Nobre é autor da tese do peemedebismo – ideia que explica o funcionamento da maior parte dos partidos brasileiros que se associam ao governo para lhe conferir estabilidade em troca de poder.

Para o pesquisador, exatamente por esse modo de agir, o impeachment de Dilma pode devastar a estrutura do PMDB, que, nas palavras dele, já vive um estado de anomia graças às investigações sobre o esquema de corrupção na Petrobras e em outros órgãos públicos.

“O PMDB é um arquipélago de interesses. Neste momento, a lógica de sobrevivência é mais importante do que qualquer outra lógica. Todo mundo vira inimigo”, disse.

O duelo em curso entre o peemedebistas Renan Calheiros, que preside o Senado, e o vice Michel Temer sinaliza esse ponto. Na última quinta-feira, Calheiros aprovou em plenário a abertura de um processo de investigação contra Temer por envolvimento nas pedaladas fiscais.Leia mais »