A burrice da inteligência

A burrice da inteligência
A intolerância inteligente levará a novos Brexits.
A inteligência europeia pensa que democracia é o exercício de dar às pessoas a oportunidade de concordar com a inteligência europeia.

Marcos Nobre

Valor, 27/06/2016

Dez anos atrás, em 2006, deveria ter acontecido no Reino Unido um referendo sobre a proposta de uma Constituição Europeia. Mas, depois da vitória do “não” em referendos na França e na Holanda, em 2005, o então primeiro-ministro Tony Blair adiou indefinidamente a consulta ao eleitorado britânico. Para evitar novas derrotas, a elite política europeia deu uma carteirada tecnocrática. Aprovou, em 2007, o Tratado de Lisboa, que veio a se tornar a base constitucional da União EuropeiaLeia mais »

A normalização do caos e a estranha sensação de volta aos anos 1980

A normalização do caos e a estranha sensação de volta aos anos 1980

Marcos Nobre

26/06/2016 – Ilustríssima – Folha de S.Paulo

Nota: Uma versão ampliada deste ensaio foi publicada no nº 105 da revista “Novos Estudos” (pdf do artigo completo).

RESUMO Neste texto o autor considera que a crise atual, com a queda do do governo de Dilma Rousseff, expõe o esgotamento do modelo político-institucional que se constituiu na redemocratização. A expectativa de uma saída rápida, como sugere o governo Temer, é ilusória: a reorganização levará tempo e exigirá grande esforço.

O impeachment foi o sintoma mais grave de que as instituições entraram em colapso. Progressivamente, passaram a funcionar de maneira disfuncional, descoordenada e mesmo arbitrária. Para ficar apenas no dia a dia dos três Poderes: o Executivo perdeu capacidade de liderar o governo; o Legislativo instalou uma pauta própria, independente do governo; o Judiciário estabeleceu um regime cotidiano de decisões que se afastou de qualquer padrão conhecido de jurisprudência. Há poder de fato, mas não há poder legítimo.

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A soma de todas as espertezas

A soma de todas as espertezas

Temer e Renan são adversários em uma luta combinada.
Henrique Meirelles se arrisca a ficar pendurado no teto, junto com quem resolveu pegar a onda das expectativas infladas de um programa liberalizante.

Marcos Nobre

Valor, 20/06/2016

O governo interino é meramente reativo, não se pauta por uma agenda própria. Pauta-se cotidianamente pela grande mídia, preocupado com o que vão dizer editoriais, reportagens, análises. No resto do tempo de que dispõe, pauta-se pelas tentativas de neutralizar o que avalia como sendo os focos de insatisfação mais perigosos, que podem se transformar em greves e protestos difíceis de enfrentar. O tempo todo é um governo a reboque dos movimentos da Lava-Jato.

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Caiu a ficha: Lava-Jato não vai parar

Caiu a ficha: Lava-Jato não vai parar

Começou a trégua para o governo interino.
Uma surpreendente novidade que tomou conta do sistema político: a decantação da certeza de que não há como parar a Lava-Jato.

Marcos Nobre

Valor, 13/06/2016

Era mais ou menos consensual nas análises políticas que, ao assumir, o governo interino teria uma trégua de algo como três meses para dizer a que veio. Não foi o que aconteceu. Antes de qualquer outra coisa, porque o primeiro movimento da Lava-Jato foi de voltar suas baterias contra o novo governo. Sérgio Machado vazou seus grampos de José Sarney e companhia para conseguir homologar sua delação. Mas não faria isso sem algum tipo de combinação com a turma da Lava-Jato. Ainda que muita coisa já esteja sob jurisdição do STF, os vazamentos de material tóxico continuam bem controlados e focados: miram qualquer tentativa de estabilização do sistema político que pretenda colocar areia na engrenagem da Operação.Leia mais »

Os dois gumes do impeachment

Os dois gumes do impeachment

A situação de Temer é ainda mais grave que a de Sarney.
Em lugar de estabilidade e proteção, o impeachment apenas acelerou a linha do tiro ao alvo.

Marcos Nobre

Valor, 06/06/2016
Legitimidade não se confunde com legalidade, com vitória em eleição ou com decisão de tribunal. É coisa etérea, difusa, que depende de uma quantidade quase incontrolável de fatores. Mais complicado ainda, só é lembrada quando faz falta, quando já não está mais presente. Por ser artigo escasso e precioso, democracias se organizam para que a legalidade garanta um quadro de relativa estabilidade no tempo para que ocupantes do poder tenham condições de construir a legitimidade de que vivem seus governos.Leia mais »