São Paulo

São Paulo

Temer, Serra e Kassab costuram um novo polo político.
As candidaturas de Marta Suplicy e João Doria têm como objetivo comum excluir o PT como um dos polos da política nacional.

Marcos Nobre

Valor, 25/07/2016

Chega a dar arrepios pensar que, depois da presidência de José Sarney, sofreu impeachment quem ocupou o cargo não tendo base, história nem sustentação política em São Paulo: Fernando Collor e Dilma Rousseff. O próprio Sarney só levou seu mandato até o final porque assumiu a Presidência em circunstâncias trágicas e porque teve seu sustentáculo em Ulysses Guimarães, político paulista tradicional. Itamar Franco só conseguiu colocar nos trilhos o seu mandato tampão depois que terceirizou o governo para o PSDB paulista, Fernando Henrique Cardoso à frente. A ascensão do paulista Michel Temer à Presidência não faz senão restaurar esse padrão preocupante da política nacional.Leia mais »

A Câmara de Maia, Cunha e Costa Neto

A Câmara de Maia, Cunha e Costa Neto

O baixo centrão não será facilmente desidratado.
Rodrigo Maia ganhou seu lugar à cabeceira da mesa, mas terá de jogar com as cartas de Eduardo Cunha.

Marcos Nobre

Valor, 18/07/2016

Nos discursos como candidato e como presidente eleito da Câmara, Rodrigo Maia fez questão de repetir à exaustão que não seria um representante das cúpulas partidárias, mas das bases, de cada deputado e deputada. Prestou sua homenagem ao baixo centrão, condizente com a hesitação que acompanhou até o último momento a decisão do governo Temer de apoiar sua candidatura. O governo interino tem claro que um dos importantes fatores da instabilidade estrutural do sistema político está na descoordenação visível no baixo centrão e já deixou claro que o próximo objetivo é devolver o poder às hierarquias partidárias, único arranjo em que o presidente em exercício consegue efetivamente operar. Ou, em suas próprias palavras, depois desditas de maneira protocolar, como já virou hábito neopalaciano: “Eu quero desidratar essa coisa de centrão”.Leia mais »

A hesitação de Temer

A hesitação de Temer

As origens do baixo centrão devem ser buscadas em 2005.
Temer hesita em fazer a escolha inevitável entre as cúpulas partidárias e o baixo centrão da Câmara.

Marcos Nobre

Valor, 11/07/2016

Em fevereiro de 2005, Severino Cavalcanti, então deputado pelo PP de Pernambuco, foi eleito presidente da Câmara. Era um congressista inteiramente desconhecido, fora do radar mesmo de quem acompanhava profissionalmente a política. No primeiro turno de votação, recebeu apenas 124 votos contra 207 do candidato oficial do governo Lula. No segundo turno, venceu com 300 votos. O candidato do governo conseguiu receber menos votos no segundo turno do que tinha recebido no primeiro: 195. Na época, a derrota parecia poder ser inteiramente explicada pela divisão dentro do próprio PT, que apresentou um candidato oficial e teve outro dissidente, que recebeu 117 votos no primeiro turno de votação. Hoje, essa explicação se mostra insuficiente, especialmente quando analisada do ponto de vista da ascensão e queda de Eduardo Cunha.

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Marcos Nobre interpreta o contexto político atual

Marcos Nobre interpreta o contexto político atual
Paula Miraglia e Guilherme Prado
Nexo, 07/07/2016

Em entrevista para o Nexo, Marcos Nobre, professor de filosofia da Unicamp, analisa o estágio da nossa democracia e afirma que o momento lembra a situação do Brasil no final dos anos 1980, quando o país passava pela redemocratização pós ditadura militar.
Ele reflete sobre essa sensação de volta ao passado em seu artigo “1988+30”, publicado na edição de julho da Revista Novos Estudos Cebrap (pdf do artigo).

Parte 1 (link)
Parte 2 (link)

O sistema contra-ataca

O sistema contra-ataca

O sistema conseguiu um razoável grau de blindagem.
Não é pouca coisa o sistema ter conseguido colocar na defensiva a Lava-Jato mesmo tendo no colo o terremoto das gravações de Sérgio Machado.

Marcos Nobre

Valor, 04/07/2016

Soltar o ex-ministro Paulo Bernardo após seis dias de prisão foi um marco. Não por causa da controvérsia jurídica em torno da decisão do ministro do STF, Dias Toffoli. Não faltam nos últimos tempos decisões judiciais inteiramente fora da curva da jurisprudência. A soltura sinaliza principalmente o objetivo de pôr freio ao voluntarismo da turma de Curitiba e às prisões de prazo ilimitado da Lava-Jato.Leia mais »