A cadeira de Temer

A cadeira de Temer
As eleições refletem uma disputa entre alto e baixo clero.
A estratégia de estabilização de Temer parece continuar a se dividir em duas etapas: primeiro a Câmara e só depois o Senado.

Marcos Nobre

Valor, 26/09/2016

A decisão sobre o financiamento empresarial de campanhas foi um dos episódios decisivos na tramitação da reforma eleitoral de 2015. O projeto original patrocinado por Eduardo Cunha previa financiamento empresarial a candidatos e a partidos, com estabelecimento de um teto de valor monetário fixo. Derrotado na votação, Cunha se saiu com uma gambiarra constitucional típica dos tempos atuais para, menos de 48 horas depois, aprovar o dispositivo, só que restrito desta feita a doações de empresas a partidos. Muito pouca gente se lembra que a emenda-gambiarra foi de autoria de Celso Russomano.Leia mais »

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Aos perdedores, a Lava-Jato

Aos perdedores, a Lava-Jato
Ação dos procuradores vai ao encontro da pax temerista.
Objetivamente, a denúncia da força-tarefa restringe a Lava-Jato a quem já foi politicamente derrotado, preservando os vencedores do impeachment.

Marcos Nobre

Valor, 19/09/2016

Na apresentação pública da denúncia que ofereceu na semana passada, a força-tarefa de 10 procuradores e 3 procuradoras transformou Lula em “comandante máximo do esquema de corrupção identificado na Lava-Jato”. Sintomaticamente, a expressão não consta do texto da denúncia, foi dita apenas na apresentação para a imprensa. A distância entre o que foi dito e o que foi efetivamente pedido na denúncia é o que importa. Porque, na hora do vamos ver, não denunciaram Lula por associação criminosa, conclusão que seria não apenas lógica, mas inexorável dado o quadro geral da exposição.Leia mais »

O próximo alvo

O próximo alvo

Renan pode ser para Temer o que Cunha foi para Dilma.
A persistir a lógica do inimigo público número 1, vai se instalar uma disputa de morte na base de sustentação do governo.

Marcos Nobre

Valor, 12/09/2016

Eduardo Cunha será cassado entre hoje e amanhã. O sistema político gostaria que fosse um lance de futebol. Depois do cartão vermelho para Dilma Rousseff, o juiz joga para a arquibancada, expulsa Eduardo Cunha e decreta o jogo zerado. Só que a expectativa é irreal. Porque, mesmo se fosse futebol, uma expulsão está bem longe de ser igual à outra. Uma foi nada menos do que um impeachment traumático, altamente contestado. A outra expulsão quer entregar os anéis para não perder os dedos. E, vamos combinar, o juiz não tem qualquer credibilidade junto à arquibancada.Leia mais »

Rumo a 1989

Rumo a 1989

As etapas de campanha se fundiram de maneira caótica.
A reforma eleitoral de 2015 transformou uma maratona de 5 km em uma prova de velocidade de 400 metros.

Marcos Nobre

Valor, 05/09/2016

Parece que foi no século passado, mas faz pouco mais de um ano que a Câmara dos Deputados aprovou a reforma eleitoral que decidiu as regras das eleições municipais em curso. Parece de outro século a proposta do distritão, defendida com afinco pelo então articulador político do governo Dilma, o então vice-presidente Michel Temer. Era uma proposta que transformava cada Estado em um distrito, considerando eleitas as candidaturas mais votadas, independentemente da votação global de seus próprios partidos. Parece ter-se perdido no tempo a manobra de Eduardo Cunha para jogar no lixo o relatório do deputado Marcelo Castro na comissão que examinava a reforma e fazer com que o aliado Rodrigo Maia, hoje presidente da Câmara, levasse diretamente ao plenário a versão do texto que queria ver aprovada.Leia mais »