Em 2017, sentimento de insatisfação pode virar contra o STF

Marcos Nobre: “Em 2017, sentimento de insatisfação pode virar contra o STF” 

Entrevista no EL PAÍS (link) por Andre de Oliveira

No final do ano passado, o filósofo e cientista político Marcos Nobre disse em entrevista ao EL PAÍS que a crise vista durante 2015 se prolongaria por 2016. Também fez a leitura de que o processo de impeachment de Dilma Rousseff, que tinha acabado de ser aceito por Eduardo Cunha, era só uma tática do sistema político para se salvar da Lava Jato. Agora, depois de um ano, ele avalia que a instabilidade vista lá atrás continua e que a operação, sediada em Curitiba, continua ditando o ritmo da vida nacional. Nobre traça um horizonte nebuloso para 2017, em que até o Supremo Tribunal Federal (STF) pode se ver no centro da insatisfação popular.

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A cavalaria tucana

A cavalaria tucana. E uma despedida
PSDB tem experiência em tomar governos pelo alto.
A última chance de sobrevivência para Temer é a formação de um novo governo a partir de fevereiro de 2017, sob o comando do PSDB.

Marcos Nobre

Valor, 19/12/2016

É verdade que Temer não se cansou de dar tiros no próprio pé, mas aproveitou de maneira eficiente a janela dos seus sete primeiros meses de governo. Mesmo sob fogo intermitente da Lava-Jato, a confusão generalizada acabou jogando a favor de sua agenda. O grande emblema, a PEC dos gastos, foi objeto de aprovação no atropelo, sem que a grande maioria da população tenha entendido do que se tratava, sem que a oposição tenha conseguido inflamar as ruas. Agora que o entendimento parece um pouco mais amplo, quando a emenda já foi promulgada, as pesquisas mostram uma sólida maioria contra a medida. Ou seja, o efeito tecnocrático-surpresa não poderá mais ser usado no futuro. A conversa com o eleitorado terá de ser de outro tipo a partir de agora.Leia mais »

Vai dar para esperar até 2018?

Vai dar para esperar até 2018?
Renan está para Delcídio como Temer para Dilma.
O embate entre Renan Calheiros e o STF cristalizou uma oposição que arrisca levar ladeira abaixo o governo Temer.

Marcos Nobre

Valor, 12/12/2016

Sabe-se lá como, o governo Dilma conseguiu sobreviver a uma tempestade perfeita até o momento em que o ministro Teori Zavascki ordenou a prisão de Delcídio do Amaral, senador no exercício do mandato, líder do governo no Senado. Nesse mesmo dia 25 de novembro de 2015, a decisão do ministro foi referendada pela 2a. Turma do STF e confirmada em votação no Senado. A partir desse momento, o sistema político entrou em estado de pânico permanente.

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O futuro dos partidos

O futuro dos partidos
Ou se aprofunda a democracia ou vence a barbárie.
Cúpulas partidárias terão de colocar em jogo o controle que hoje têm em nome da própria sobrevivência dos partidos em condições democráticas.

Marcos Nobre

Valor, 05/12/2016

A cúpula do Partido Republicano fez de tudo e mais um pouco para evitar que Donald Trump se tornasse o candidato à presidência. Viu o partido ser invadido e tomado por um outsider, sem conseguir impor um nome menos hostil. A máquina partidária perdeu o controle do processo. Mas venceu as eleições presidenciais.Leia mais »

Feios, sujos e malvados

Feios, sujos e malvados
Anistia foi enterrada por não garantir salvação geral.
Fica claro uma vez mais que é o Centrão que dá as cartas, o autêntico pilar de sustentação do governo Temer.

Marcos Nobre

Valor, 28/11/2016

Enquanto isso, na paróquia política brasileira, o susto da semana não foi a demissão de Geddel Vieira Lima. O verdadeiro susto veio com o vídeo divulgado pelo deputado Rogério Rosso, líder do PSD na Câmara, no mesmo dia da demissão do ministro da Secretaria de Governo, em que disse: “Caso o Congresso Nacional venha a aprovar qualquer tipo de anistia, não só o caixa dois, mas qualquer outro crime, o presidente Temer vetará imediatamente”. No vídeo, Rosso diz ter recebido de Temer expressa autorização para levar a decisão ao conhecimento da sociedade. Foi colocado na posição de porta-voz da Presidência. Mais um. Ao confirmar a informação em entrevista ao Jornal Nacional no dia seguinte, Rosso criou um fato consumado.Leia mais »

O atraso no comando

O atraso no comando
A ameaça vem em forma de chantagem: anistia geral ou caos.
Teve início uma nova etapa da guerra da política oficial em defesa de seu próprio salvamento.

Marcos Nobre

Valor, 21/11/2016

Ainda ontem se podia consultar no site oficial do PSDB a transcrição de uma conversa entre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o então senador pelo PT Cristovam Buarque. Está datada de 29 de novembro de 2004. Cristovam já era ex-ministro da Educação do governo Lula e viria a sair do PT no ano seguinte, quando do aparecimento da denúncia do mensalão.Leia mais »

Democracia exposta

Democracia exposta
A própria democracia deixou de ser uma evidência.
Já ficou claro que os eleitorados não vão recuar diante da ameaça do caos.

Marcos Nobre

Valor, 14/11/2016

Aconteceu uma vez, no plebiscito sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, e a explicação bem pensante disse que tinha sido raio em céu azul. Veio o referendo na Colômbia sobre o acordo de paz e uma série de explicações tiradas da cartola tentou mostrar que era ponto fora da curva. A eleição de Donald Trump fixou de vez a exceção como regra, o desvio como tendência.Leia mais »

Samuel L. Jackson encontra John Wayne

Samuel L. Jackson encontra John Wayne
Ford e Tarantino têm muito a ensinar sobre a eleição nos EUA.
Se Hillary Clinton vencer, será por ter se comprometido a não resolver o que não pode ser resolvido por uma eleição presidencial.

Marcos Nobre

Valor, 07/11/2016

Parece que Hillary Clinton vai ganhar. Parece. Mas, se vencer, o alívio de ter conseguido desviar de rota o Godzilla da política mundial não vai afastar o mal-estar de instituições que estão funcionando de maneira disfuncional. E não só nos EUA.Leia mais »

A nova geração da política

A nova geração da política
O futuro do país está também nas escolas ocupadas.
Perguntar por chances eleitorais reduz a questão da nova geração da política à pergunta pela geração nova da política.

Marcos Nobre

Valor, 31/10/2016

Terminada uma eleição, a primeira pergunta que se faz é pelas chances que teriam figuras já conhecidas para as eleições seguintes. As chances de Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Lula, Marina Silva, Ciro Gomes, Fernando Haddad e por aí vai. O problema desse tipo de foco é o imediatismo, limitado à próxima eleição. É um raciocínio que pensa que política é apenas eleição.Leia mais »

A centro-direita não tem pressa

A centro-direita não tem pressa
Uma trégua tensa vigora no campo à esquerda.
A atual ausência de coesão à esquerda permite que a centro-direita deixe para 2018 a definição sobre seu real polo aglutinador.

Marcos Nobre

Valor, 24/10/2016

Até 2014, parecia que tinha se tornado parte da paisagem política a polarização entre uma candidatura de centro-direita e outra de centro-esquerda. A partir da eleição de 1994, o PT conseguiu se firmar como líder inconteste da esquerda, o que se confirmou na eleição seguinte, em 1998, com a chapa Lula-Brizola. Em 2002, o PT estendeu sua hegemonia para o campo da centro-esquerda, o que foi simbolizado pela chapa Lula-José Alencar.Leia mais »