O atraso no comando

O atraso no comando
A ameaça vem em forma de chantagem: anistia geral ou caos.
Teve início uma nova etapa da guerra da política oficial em defesa de seu próprio salvamento.

Marcos Nobre

Valor, 21/11/2016

Ainda ontem se podia consultar no site oficial do PSDB a transcrição de uma conversa entre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o então senador pelo PT Cristovam Buarque. Está datada de 29 de novembro de 2004. Cristovam já era ex-ministro da Educação do governo Lula e viria a sair do PT no ano seguinte, quando do aparecimento da denúncia do mensalão.Leia mais »

Democracia exposta

Democracia exposta
A própria democracia deixou de ser uma evidência.
Já ficou claro que os eleitorados não vão recuar diante da ameaça do caos.

Marcos Nobre

Valor, 14/11/2016

Aconteceu uma vez, no plebiscito sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, e a explicação bem pensante disse que tinha sido raio em céu azul. Veio o referendo na Colômbia sobre o acordo de paz e uma série de explicações tiradas da cartola tentou mostrar que era ponto fora da curva. A eleição de Donald Trump fixou de vez a exceção como regra, o desvio como tendência.Leia mais »

Samuel L. Jackson encontra John Wayne

Samuel L. Jackson encontra John Wayne
Ford e Tarantino têm muito a ensinar sobre a eleição nos EUA.
Se Hillary Clinton vencer, será por ter se comprometido a não resolver o que não pode ser resolvido por uma eleição presidencial.

Marcos Nobre

Valor, 07/11/2016

Parece que Hillary Clinton vai ganhar. Parece. Mas, se vencer, o alívio de ter conseguido desviar de rota o Godzilla da política mundial não vai afastar o mal-estar de instituições que estão funcionando de maneira disfuncional. E não só nos EUA.Leia mais »

A nova geração da política

A nova geração da política
O futuro do país está também nas escolas ocupadas.
Perguntar por chances eleitorais reduz a questão da nova geração da política à pergunta pela geração nova da política.

Marcos Nobre

Valor, 31/10/2016

Terminada uma eleição, a primeira pergunta que se faz é pelas chances que teriam figuras já conhecidas para as eleições seguintes. As chances de Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Lula, Marina Silva, Ciro Gomes, Fernando Haddad e por aí vai. O problema desse tipo de foco é o imediatismo, limitado à próxima eleição. É um raciocínio que pensa que política é apenas eleição.Leia mais »

A centro-direita não tem pressa

A centro-direita não tem pressa
Uma trégua tensa vigora no campo à esquerda.
A atual ausência de coesão à esquerda permite que a centro-direita deixe para 2018 a definição sobre seu real polo aglutinador.

Marcos Nobre

Valor, 24/10/2016

Até 2014, parecia que tinha se tornado parte da paisagem política a polarização entre uma candidatura de centro-direita e outra de centro-esquerda. A partir da eleição de 1994, o PT conseguiu se firmar como líder inconteste da esquerda, o que se confirmou na eleição seguinte, em 1998, com a chapa Lula-Brizola. Em 2002, o PT estendeu sua hegemonia para o campo da centro-esquerda, o que foi simbolizado pela chapa Lula-José Alencar.Leia mais »

O destino do governo Temer depende do PSDB

O destino do governo Temer depende do PSDB

Temer se equilibra entre Aécio e Alckmin.
Temer tenta ao mesmo tempo equilibrar o jogo e se posicionar como fiel da balança na disputa entre Aécio e Alckmin.

Marcos Nobre

Valor, 17/10/2016

Perguntado no sábado sobre uma eventual aliança com o PSDB para as eleições de 2018, Michel Temer respondeu que tal possibilidade é “extremamente prematura porque essas coisas só serão cogitáveis no final do ano que vem”. É certo que o primeiro horizonte para 2018 fica no final de 2017. O que não é exato é que o atual governo vá esperar até lá para começar a se mexer.Leia mais »

O preço da PEC

O preço da PEC
A PEC 241 faz o sistema político abdicar de seu poder.
A PEC 241 pode acabar custando ao PMDB nada menos do que a liderança do pemedebismo do sistema político.

Marcos Nobre

Valor, 10/10/2016

O nome oficial é Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Novo Regime Fiscal e recebeu o número 241. Fixa de antemão como limite das despesas públicas para um ano o gasto realizado no ano anterior, corrigido pela inflação. Tem duração prevista de vinte anos.

A Constituição de 1988 é útil sempre que diz o que se quer que ela diga e totalmente despropositada quando vai contra o que se quer que ela diga. Quando se trata de defender o impeachment que alçou Temer ao poder, agarra-se com unhas e dentes ao texto constitucional. Quando se trata de defender a PEC 241, a Constituição é a principal fonte da atual ruína do país, já que “não caberia no PIB”. Assim como existiria um “PIB potencial” (sobre o qual nem economistas de mesma confissão teórica se entendem), existiria também uma espécie de “Constituição potencial”, aquela justamente que caberia no PIB.Leia mais »

A velhice do novo e a novidade do velho

A velhice do novo e a novidade do velho
O salve-se quem puder da eleição dará o tom da transição.
As mudanças trazidas pela eleição são bem mais sutis do que uma simples contraposição entre política e antipolítica, entre novo e velho.

Marcos Nobre

Valor, 03/10/2016

Junho de 2013 levou às ruas uma insatisfação social profunda e duradoura. A partir de 2015, a Lava­Jato levou a crise para o coração do sistema político. E os efeitos da brutal recessão iniciada ainda em 2014 abriram a temporada de caça aos culpados de todas as desgraças. Foi então que teve início um salve­-se quem puder geral dentro da política oficial. O PT se posicionou contra a política econômica de sua própria presidente, aliados e inimigos ameaçaram colocar fogo no circo caso Dilma Rousseff não os defendesse dos ataques da Justiça, acordos que vigoraram durante 20 anos e cinco eleições presidenciais deixaram de valer.Leia mais »

A cadeira de Temer

A cadeira de Temer
As eleições refletem uma disputa entre alto e baixo clero.
A estratégia de estabilização de Temer parece continuar a se dividir em duas etapas: primeiro a Câmara e só depois o Senado.

Marcos Nobre

Valor, 26/09/2016

A decisão sobre o financiamento empresarial de campanhas foi um dos episódios decisivos na tramitação da reforma eleitoral de 2015. O projeto original patrocinado por Eduardo Cunha previa financiamento empresarial a candidatos e a partidos, com estabelecimento de um teto de valor monetário fixo. Derrotado na votação, Cunha se saiu com uma gambiarra constitucional típica dos tempos atuais para, menos de 48 horas depois, aprovar o dispositivo, só que restrito desta feita a doações de empresas a partidos. Muito pouca gente se lembra que a emenda-gambiarra foi de autoria de Celso Russomano.Leia mais »

Aos perdedores, a Lava-Jato

Aos perdedores, a Lava-Jato
Ação dos procuradores vai ao encontro da pax temerista.
Objetivamente, a denúncia da força-tarefa restringe a Lava-Jato a quem já foi politicamente derrotado, preservando os vencedores do impeachment.

Marcos Nobre

Valor, 19/09/2016

Na apresentação pública da denúncia que ofereceu na semana passada, a força-tarefa de 10 procuradores e 3 procuradoras transformou Lula em “comandante máximo do esquema de corrupção identificado na Lava-Jato”. Sintomaticamente, a expressão não consta do texto da denúncia, foi dita apenas na apresentação para a imprensa. A distância entre o que foi dito e o que foi efetivamente pedido na denúncia é o que importa. Porque, na hora do vamos ver, não denunciaram Lula por associação criminosa, conclusão que seria não apenas lógica, mas inexorável dado o quadro geral da exposição.Leia mais »